Biogás: um mercado em ascensão

Considerada uma fonte versátil e sustentável, o biogás vem apresentando grandes oportunidades de desenvolvimento econômico para o Brasil. Com investimentos que prometem aquecer a economia brasileira, a cadeia de valor do biogás pode colocar o país como protagonista na corrida pela descarbonização.

Para explorar ainda mais esse assunto, convidamos o especialista Pedro Assumpção, co-founder na URCA Energia para compartilhar sua visão sobre as oportunidades do mercado de biogás e sua relação com o mercado de carbono.

Cerca de 105 bilhões de toneladas de resíduos orgânicos são gerados anualmente pela humanidade. Esses resíduos emitem metano, um gás 20 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono para o meio ambiente. Com isso, o manejo correto dos dejetos é um desafio econômico, social e ambiental não apenas para o Brasil, mas para o mundo.

 

Gestores públicos, empresas e produtores rurais precisam gerenciar esses resíduos de forma adequada, alinhando suas atividades à responsabilidade socioambiental. “Uma das soluções para o tratamento correto de dejetos oriundos da atividade agropecuária e de aterros sanitários é captar o biogás e transformá-lo em energia elétrica ou em combustível renovável. Essa é uma forma de agregar valor à operação do negócio ou do município, preservar o meio ambiente e atender às metas ESG, cada vez mais presentes na gestão pública e privada.” ressalta Pedro Assumpção da Urca Energia.

 

Biogás: um mercado em ascensão

 

O setor de biogás cresce em ritmo acelerado. Os investimentos no setor de biogás chegam a R$ 60 bilhões em novas usinas até 2030, segundo estimativa da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás). Esses investimentos devem elevar a produção brasileira dos atuais 4 milhões de metros cúbicos diários para 30 milhões de metros cúbicos por dia.

 

De acordo com o último panorama do biogás 2021 divulgado pelo CIBiogás podemos perceber que o mercado de biogás está de fato em constante expansão, com crescimento de 16% no número nacional de plantas de biogás e biometano. Eram 653 unidades em operação em 2020. Já o ano de 2021 fechou com o total de 811 plantas de biogás, sendo 755 em operação, 44 em implantação e 12 em reformulação.

 

Além da geração de energia elétrica e térmica, o biogás, na forma de biometano, pode ser substituído pelo Gás Natural, podendo ser transportado nas redes de gás existentes e utilizado como biocombustível veicular (GNV renovável). O crescimento das plantas de biometano no país chama atenção e apesar de ser ainda um número pequeno, representa 23% do volume total de biogás produzido.

 

“A partir da aquisição da Gás Verde, no início deste ano (2022), o grupo Urca Energia se tornou o maior produtor de biometano do país, um biocombustível sustentável que contribui para a preservação do meio ambiente e tem grande potencial para transformar a matriz energética das empresas brasileiras. O negócio foi fechado por R$ 1,2 bilhão, incluindo o valor da compra dos ativos e os novos investimentos na expansão do negócio.” destaca Pedro Assumpção, um dos fundadores do grupo.

 

Sob o ponto de vista de contingência, o biometano traz mais segurança para a operação, uma vez que a produção do combustível é 100% nacional e menos vulnerável a variações do mercado internacional, o que permite um maior planejamento por parte das empresas, além dos incentivos financeiros de captação de crédito mais barato.

 

O pré-sal caipira

 

O Brasil tem um grande potencial para exploração do biogás, especialmente, a partir de aterros sanitários e do setor agropecuário. Segundo Pedro Assumpção, para se ter uma ideia, o biogás tem sido considerado o pré-sal caipira.

 

Essa expressão é usada por especialistas da área de energia renovável para atribuir todo o potencial do aproveitamento de resíduos da agropecuária para a produção de biogás. Um estudo realizado pela Abiogás demonstra um potencial de 120 milhões de metros cúbicos de biogás por dia.

 

“Se o país utilizasse todo esse potencial de produção seria possível, por exemplo, substituir 35% da demanda de energia elétrica do país ou 70% da demanda de diesel. Apesar do futuro promissor do biogás, ele ainda é pouco explorado no país, o que constitui uma grande oportunidade de negócio.” acrescenta o co-fundador da URCA Energia.

 

Quando avaliamos o potencial mundial, segundo a World Biogas Association, 10% das emissões mundiais poderiam ser evitadas até 2030 com o aproveitamento energético dos resíduos orgânicos.

 

Além do agronegócio, é possível produzir biogás dos resíduos sólidos urbanos de aterros sanitários, o que reforça a sua importância como solução ambiental. Outra grande vantagem é que ele é um gás flexível, podendo ser usado como combustível nos processos produtivos das indústrias e de frotas pesadas e automóveis, e como energia elétrica renovável, apoiando a transição energética das empresas para uma matriz mais limpa.

 

“O recém-lançado Programa Metano Zero, do governo federal, é um reconhecimento importante do biogás e biometano como parte estratégica da infraestrutura do país, que se comprometeu em reduzir a emissão de metano em 30% até 2030 na COP26. O programa nos animou a ampliar nossos investimentos.” destaca Pedro.

 

A relação do mercado de biogás com o mercado de carbono

 

O biogás surge como uma solução para viabilizar a transição do país para uma matriz energética de baixo carbono, visto que sua utilização reduz em até 95% as emissões de gases efeito estufa (GEE) de empresas e setores produtivos, de acordo com a Abiogás.

 

Para o co-fundador da Urca Energia, pode-se dizer que o funcionamento do mercado de carbono no Brasil está relacionado à geração e comercialização de energia a partir de fontes limpas. Isso torna necessária uma renovação e inserção de novas fontes no setor elétrico, como o biogás. Ainda, a abertura do mercado para uma economia de baixo carbono propicia investimentos nestas fontes alternativas renováveis e contribui com o cumprimento das metas de descarbonização firmadas pelo país.

 

O biogás tem um potencial enorme para apoiar a transição energética do país e contribuir com o compromisso firmado na COP26 de redução de 30% das emissões de metano até 2030. Entre suas vantagens está a sua flexibilidade e versatilidade, já que ele pode ser usado como energia elétrica, térmica e biocombustível, além de produzir biofertilizantes e CO2 verde como subprodutos, em um processo completamente alinhado aos princípios da economia circular.

 

Sobre a URCA Energia:

 

A Urca Energia é uma holding de investimento em energia inteligente e renovável que atua nos mercados livre e regulado, oferecendo soluções energéticas nas áreas de geração e comercialização de energia, produção e comercialização de biometano e comercialização de gás natural. Fazem parte do grupo, as empresas Gás Verde, Eva Energia, Urca Comercializadora de Energia e Urca Gás.

A Gás Verde é a maior produtora de biometano do país, com planta em operação em Seropédica (RJ) e, a partir de 2023, também em São Gonçalo e Nova Iguaçu (RJ). A Eva Energia é uma das maiores empresas do país na geração de energia elétrica renovável a partir de biogás de aterros sanitários e de criação de proteína animal, com plantas em Seropédica (RJ), Mauá (SP) e Sorriso (MT), além de nova planta em São Gonçalo a partir do segundo semestre deste ano (2022).

A Urca Comercializadora de Energia atua no trading de energia e na implementação de operações estruturadas lastreadas em energia e foi responsável por uma das maiores operações de crédito de carbono do mercado, com 2.300.000 toneladas de carbono cancelados voluntariamente em favor da UTE Prosperidade III, a primeira térmica carbono neutro do Brasil. E, por fim, a Urca Gás é a comercializadora de gás natural do Grupo.

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