Apesar do setor de transportes ser considerado um dos principais emissores de gases de efeito estufa, quando falamos de mobilidade sustentável, não nos referimos apenas aos meios de transportes mais limpos, mas também aos impactos positivos que influenciam os grandes centros urbanos e consequentemente, a qualidade de vida das pessoas.
De acordo com a especialista convidada Márcia Loureiro, a mobilidade urbana sustentável se baseia num modelo de locomoção mais eficaz e menos poluente. Para viabilizá-la é necessário implementar iniciativas que permitam o deslocamento das pessoas com vantagens que dizem respeito à redução dos tempos de deslocamento, com integração entre modais, corredores exclusivos, ciclovias bem dimensionadas, priorização do transporte coletivo e aumento da frota de veículos de baixa emissão de carbono.
“A redução de congestionamentos, de poluição sonora e de emissões de gases de efeito estufa são apenas alguns dos benefícios que a mobilidade sustentável traz para os centros urbanos. As oportunidades são diversas e estão relacionadas por exemplo, ao compartilhamento de veículos, conectividade e consolidação de novas rotas tecnológicas baseadas em energia limpa.” complementa Márcia Loureiro, Gerente de Eletromobilidade da Vibra Energia.
Mobilidade zero carbono: mito ou realidade?
Muito tem se falado em mobilidade zero carbono (principalmente nos países europeus) em função das premissas globais de descarbonização no setor de transportes. Alguns países apresentam metas agressivas como a interrupção na produção de veículos a combustão até 2030. Outros, já mais conservadores, possuem metas de zero emissões até 2050, como é o caso do Brasil. Mas ao analisar a realidade da frota sustentável brasileira, em especial a elétrica, o cumprimento dessas metas pode se tornar ainda mais distante.
“Mobilidade zero carbono é uma meta ambiciosa para o longo prazo, especialmente para o Brasil que ainda tem barreiras importantes a vencer como custo de aquisição de veículos de zero emissão, custo dos financiamentos, incerteza nas metas de substituição de frota a combustão, tecnologias de baterias e infraestrutura de recarga.” comenta Márcia Loureiro.
Um estudo apresentado pela ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores aponta que com as metas de descarbonização e a consequente necessidade de modernização do setor automotivo, a indústria nacional precisaria realizar cerca de R$ 150 bilhões em investimentos nos próximos 15 anos.
“Tendo em vista a idade da frota brasileira ser considerada alta e os biocombustíveis serem uma opção bem consolidada no país, seria necessário um período longuíssimo e uma pressão regulatória para atingimento desta meta. Quanto às cidades estarem preparadas para mobilidade zero carbono, acredito que estamos muito distantes disso e que seria necessário esforços de planejamento, investimentos e conscientização para tornar-se realidade.” reforça Márcia Loureiro.
Mobilidade elétrica no Brasil
Quando analisamos as premissas europeias de atingir 100% a mobilidade elétrica até 2050, isso pode parecer um pouco utópico quando avaliamos o avançar do mercado interno.
Comentamos nas postagens desse mês de setembro que diante da extensão territorial do Brasil, implantar a mobilidade elétrica é um grande desafio. Não apenas pela necessidade de democratizar o acesso à energia e ampliar a matriz elétrica, mas também pelos desafios tecnológicos e regulatórios, além da necessidade de investimentos.
Um outro fator relevante – e que pode causar uma certa concorrência com o mercado de veículos 100% elétricos, é a presença, já consolidada, dos biocombustíveis e a expansão gradativa da frota de veículos híbridos e veículos movidos a gás natural e biometano.
Na opinião de Márcia Loureiro, especialista e Gerente de Eletromobilidade na Vibra Energia as rotas tecnológicas vão coexistir. Para ela, a eletrificação é inexorável, mas tem desafios a serem superados.
“Os biocombustíveis são uma vocação do país que deu muito certo, o gás natural e biometano têm aplicação e oportunidades com a abertura do mercado e o Hidrogênio verde como vetor energético terá um papel importante, especialmente na descarbonização de pesados.” complementa Márcia Loureiro.
Inovação e mobilidade sustentável.
De acordo com o mapeamento realizado pela Liga Ventures em janeiro de 2020 sobre Autotechs – startups que atuam no segmento de mobilidade, o Brasil possui um pouco mais de 300 startups que atuam direta ou indiretamente com essa cadeia ofertando soluções tecnológicas e serviços. É um número tímido frente aos desafios e oportunidades que o setor apresenta.
E quando avaliamos startups voltadas à mobilidade elétrica, esse número é menor ainda, sendo representado por apenas 14 startups, de acordo com o levantamento da Liga Ventures atualizado em setembro de 2020.
Sabemos que uma das formas de acelerar o desenvolvimento tecnológico é a inovação aberta e para isso nossa convidada compartilha algumas ações que a Vibra Energia vem fazendo para impulsionar o setor de eletromobilidade.
“A Vibra reconhece a importância da Inovação para aceleração de suas iniciativas e curva de aprendizado em temas dinâmicos como a eletromobilidade. Investiu em janeiro deste ano na startup Ezvolt voltada a soluções de recarga elétrica; implementou o hub de Inovação Vibra Co. LAB, contando com 41 startups em operação, tendo mais de 200 no track de Inovação e aprovamos recursos da ordem de R$ 90 milhões para CVC – Corporate Venture Capital”.
A Vibra fez movimentos importantes que nos posicionaram como uma plataforma multienergia com portfólio amplo de gás e energia, incluindo infraestrutura de recarga elétrica, comercialização e geração de energias renováveis, produção de biogás que contribui para a descarbonização completa da cadeia de valor da indústria do etanol. Em associação a Coopersucar nos tornamos a maior comercializadora de etanol do país, garantindo a oferta confiável e competitiva e etanol à sociedade.
Sobre Márcia Loureiro:
Márcia Loureiro é técnica de instrumentação e automação, engenheira de produção e mecatrônica, possui MBA em gestão estratégica e econômica de negócios e participou de capacitações internacionais pelo Programa Global MIT e Harvard Professional Development.
Com atuação em Mobilidade Elétrica, Energia, O&G, Renováveis, Engenharia, Inovação e Automação possui + de 20 anos de experiência no sistema Petrobras, Petros, Transpetro, Petrobras e BR Distribuidora, com atuação multisetorial na cadeia de valor do óleo e Gás, do Poço ao Posto. Atualmente é Gerente de Eletromobilidade na Vibra Energia.